Domingo, 14 de abril de 2024
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VALE TUDO ELEITORAL

Delator revela que pagou R$ 1 mi em propina para Wellington; dinheiro estava em caixa de vinho

Em coletiva onde anunciou que recorrerá a cassação e inelegibilidade imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o deputado federal Neri Geller (PP) revelou que recebeu, em mãos, depoimento de delação premiada do empresário Pierre François Amaral.

No depoimento à Delegacia Fazendária, o empresário relatou a entrega de R$ 1 milhão para o então deputado federal e candidato ao Senado, Wellington Fagundes (PL), no ano de 2014. “Delação premiada que chegou a mim essa semana, onde delator denuncia desde 2018 e que eu quero que o Ministério Público apure isso”, disse Geller.

“Documentos me foram apresentados ontem e não vou prevaricar e pedir investigação com relação a isso”, assinalou.

Segundo o deputado, Fagundes recebeu R$ 1 milhão das mãos do empresário no pleito em que disputou, e conquistou, uma cadeira no Senado. “R$ 500 mil ele, e R$ 500 mil o filho”, sintetizou.

CAIXA DE VINHO

De acordo com o empresário, o pedido da propina ocorreu quando ele se encontrou com Wellington no aeroporto Marechal Rondon. Na ocasião, ele deu carona para o senador ir para casa e, no trajeto, houve o pedido da ajuda financeira. 'Wellington pediu ajuda ao interrogando dizendo que Silval Barbosa havia prometido ajudá-lo em sua campanha política, mas que não estava cumprindo, e que pela amizade dele com o interrogando pediu que o interrogando intercedesse junto a Silval', diz o depoimento.

O empresário contou que esteve com Silval e que, após duas reuniões, o então governador do Estado autorizou o repasse de R$ 1 milhão para Wellington. 'O então governador autorizouo o interrogando a se valer dos pagamentos da propina que estava prestes a receber da Planserv, e que repassasse o valor de R$ 1 milhão para Wellington Fagundes a fim de ajudá-lo em sua campanha', continuou.

Com o 'aval' de Silval, o empresário disse que articulou o repasse da propina para Wellington. Para isso, procurou o empresário 'Kaká', proprietário do Posto Bom Clima, em Cuiabá.

Em seguida, fez o pagamento da propina em duas parcelas. 'O interrogando assim juntou duas parcelas no total de R$ 500 mil cada uma, em dinheiro, tendo feito a primeira entrega pessoalmente para Wellington Fagundes, em seu apartamento entre os dias 15 e 17 de setembro, não se lembrando a data exata'.

A segunda parcela foi feita 10 dias depois. Essa parcela, que seria usada para pagar os cabos eleitorais em Rondonópolis, o empresário disse que emprestou o avião de Fagundes. Primeiro, foi para o interior de São Paulo e, antes de voltar para Cuiabá, parou em Rondonópolis.

No interior do Estado, foi recepcionado pelo motorista do senador e depois se encontrou com o filho dele. 'Ao chegar em Rondonópolis, o interrogando foi recepcionado pelo motorista de Wellington Fagundes, o qual levou o interrogando até a moradia de Wellington localizada no bairro Copa Rondon, onde efetuou a entrega dos R$ 500 mil ao filho de Wellington, de nome João Antonio, os quais estavam acondicionados em uma caixa de vinho'.

 
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