Quinta-feira, 30 de maio de 2024
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FARDA SUJA

Policial que recebeu R$ 70 mil para matar assaltantes é condenado a 8 anos de prisão

Ao todo, sete pessoas foram mortas por equipe de segurança privada formada por policiais

Foto: Reprodução

Policial que recebeu R$ 70 mil para matar assaltantes é condenado a 8 anos de prisão
O sargento da PM, E.S., foi condenado a 8 anos de prisão por ter cobrado R$ 70 mil para defender uma fazenda em União do Sul (719 km ao norte de Cuiabá) e matar uma quadrilha de ladrões soja. Os crimes, que incluem ocultação de cadáver, foram registrados em abril de 2020, porém, a condenação é de agosto deste ano.
 
Segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), o policial militar foi contratado pelo dono de uma fazenda para fazer segurança privada da área, o que é proibido aos militares. Mais três policiais estavam envolvidos nos crimes, mas, fecharam acordo de não persecução criminal e se livraram da punição.
 
Além da segurança privada, os policiais armaram uma emboscada em 19 de abril de 2020 para matar uma quadrilha que pretendia roubar soja da propriedade. Terminaram mortos sete homens, que tiveram seus corpos escondidos, além das provas ocultadas para isentar os militares de culpa.
 
"Nesse passo, compulsando o depoimento prestado pela testemunha, além de todo arcabouço probatórios dos autos, fica evidente, que o denunciado Evandro dos Santos, solicitou para si, indiretamente, vantagem indevida em razão da função para realizar serviços de segurança privada clandestina, infringindo dever funcional. Assim sendo, terminantemente comprovada tanto a materialidade quanto a autoria do delito de corrupção passiva, não se encontrando presentes nenhuma das condições que excluam o crime ou isentem o réu de pena, imperativa sua condenação pela prática do crime", diz trecho da decisão.
 
O proprietário da fazenda confessou que pagou R$ 70 mil ao policial depois da ação que terminou com a quadrilha morta. Depois disso, os PMs ainda recolheram objetos na cena do crime, como estojos de munições deflagradas, celulares, roupas manchadas de sangue, documentos, mochilas e até máscaras usadas pela quadrilha que tentou invadir a fazenda.
 
"(...) verifico a grande intensidade do dolo, na medida em que o réu solicitou vantagem indevida após o conhecimento de um possível roubo, tendo organizado uma equipe para fazer segurança na fazenda. Houve grande dano, porque morreram pessoas e houve um prejuízo às investigações tendo em vista a atitude do réu", argumentou ainda o juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Criminal, Especializada em Justiça Militar.
 
E que "o dano causado foi significativo. Além da possível participação em um homicídio, houve a contaminação da cena do crime e remoção de evidências, prejudicando a perícia e, consequentemente, o processo de justiça". Apesar da condenação, ele não será preso, já que recebeu o benefício de cumprir a sentença em regime semiaberto.

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