Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
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"NAZISTAS CUIABANOS"

"Transformaram o São Benedito numa câmara de gás", diz Emanuel sobre Intervenção   

Unidade de saúde dobrou número de mortes; gestor cita que pacientes graves ficavam em enfermaria

Foto: Reprodução

"Sala de espera da Morte". Esse foi o nome dado pelo prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), para a enfermaria do Hospital São Benedito, enquanto a Saúde do município estava sob a Intervenção do Estado. O pronunciamento foi feito, na manhã desta quinta-feira (01), durante entrevista concedida durante a divulgação do balanço do período em que a pasta esteve sob a administração do Estado.

O balanço apresentou um aumento de quase 100% de mortes durante o período da intervenção. Entre 15 de março de 2022 e 31 de dezembro de 2022 - período pré-intervenção - foram 105 mortes no Hospital São Benedito. Já entre 15 de março de 2023 e 31 de dezembro de 2024, período em que a Saúde era administrada pelo Gabinete de Intervenção, foram 196 óbitos na refereida unidade.

"O que está se falando aqui, é uma das coisas mais graves que eu já ouvi na minha vida pública. Eles estavam acumulando os pacientes na enfermaria para morrer no São Benedito. Isso é um assassinato em massa. O número de óbitos do São Benedito dobrou em nove meses, então fizeram daquele hospital uma 'câmara de gás'", disse Emanuel. 


Segundo Pioter Antonito Gomes, gerente assistencial que atuou no São Benedito durante a Intervenção, a unidade não tinha suporte para aceitar alguns pacientes recebidos. O atendimento da demanda também acontecia de forma irregular, onde os pacientes mais graves estavam sendo atendidos em segundo plano.

Os quartos também não eram suficientes para o número de pacientes recebidos, devido a isso eles estavam sendo acomodados na enfermaria, mesmo os casos mais graves e de urgência. 

"A chance de óbito se eleva diante da situação. Isso porque, tínhamos 30 leitos de UTIs, sendo 20 leitos para a regulação, e dez leitos para atender o hospital. O paciente já chegava grave, conforme ficava na espera ele ia agravando o caso. O paciente sofreu uma piora, precisava entubar, vai pra onde, não dá para transferir, então morria na enfermaria", detalhou o gestor.



Ainda segundo o Pioter, houve dia em que o hospital chegou a registrar mais de 5 óbitos. Com intenção de mascarar a negligência do hospital para com os pacientes, ao comunicar os óbitos aos familiares, os médicos tinham que buscar no prontuário doenças crônicas que os pacientes já tinham para apontar a causa/óbito, no entanto alguns não ficavam convencidos.

"Pela minha experiência, faltou manejo na hora de administrar, agravando a situação da saúde de Cuiabá, que já não era fácil, saindo do controle completamente", finalizou.  
 
 
 
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