Domingo, 17 de maio de 2026
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NEGÓCIOS

'Gigantes da moda' anunciam fusão e projetam faturar R$ 12 bilhões

Dona da marca de calçados e da Reserva ficará com 54% da nova empresa

Foto: Reprodução

'Gigantes da moda' anunciam fusão e projetam faturar R$ 12 bilhões
A Arezzo&Co, que além da marca de calçados femininos é dona da Reserva, e o Grupo Soma, que detém Animale, Farm e Hering, confirmaram nesta segunda-feira a fusão das empresas, criando uma gigante do ramo de vestuário no país.

A operação será feita via troca de ações. Na prática, a Arezzo vai incorporar a Soma, já que a primeira ficará com 54% da nova empresa. Já o grupo Soma terá 46% da nova companhia. A empresa será um gigante da moda brasileira, com faturamento combinado de quase R$ 12 bilhões, 22 mil funcionários e em torno de duas mil lojas, entre próprias e franqueadas, além de 34 marcas sob o seu chapéu.

A negociação ainda precisará ser submetida à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão que regula a concorrência no Brasil.

"O surgimento dessa nova empresa acarreta grandes oportunidades de geração de valor adicional, tais como, o desenvolvimento das categorias de calçados e bolsas nas marcas do Grupo Soma gerando alavancagem de receita, otimização da gestão dos canais de multimarcas, e-commerce e, principalmente, franquias, otimização da planta industrial de malharia da Hering e a preparação dessa nova empresa para plugar outras verticais de negócio", diz o fato relevante divulgado em conjunto pelas companhias na manhã desta segunda-feira.

Na quarta-feira passada, as empresas haviam confirmado, em comunicados, que estavam negociando, mas que nada estava fechado. No domingo, chegaram a um acordo de fusão, revelou o jornal Valor.

Desde que as primeiras informações sobre as negociações circularam, reveladas pelo site NeoFeed, as ações das duas se valorizaram. Pelas cotações de sexta-feira na B3, o valor de mercado das duas soma R$ 13 bilhões.

Em linhas gerais, analistas de mercado e especialistas em varejo veem a formação do conglomerado como positivo. As duas empresas vinham protagonizando aquisições no setor. Chegaram a disputar a Hering, que o Soma levou.

A alta das ações na semana passada veio acompanhada de relatórios que fizeram ressalvas sobre a complexidade da combinação de tantas marcas, mas as ponderações giraram mais em torno do tamanho dos ganhos com sinergias.

Estratégias de varejistas envolvem novos centros de distribuição, aquisição de empresas de logística, além de foco em tr“Apesar de ser um negócio complexo, com várias marcas sob a mesma empresa, criando um gigante nos segmentos de vestuário/calçados (e com riscos de execução no processo de integração), poderia possibilitar a captura de sinergias em distribuição, desenvolvimento de produto, operações de franquia e produção”, diz um relatório do BTG Pactual.

Aquisições recentes

Nos últimos anos, as duas empresas vinham crescendo com aquisições, liderando a consolidação do setor. O Soma teve origem, justamente, numa fusão — entre Animale e Farm, em 2010. A Arezzo adquiriu a marca de vestuário carioca Reserva, em 2020. O Grupo Soma deu um passo além quando adquiriu a Hering, em setembro de 2021. Curiosamente, no início daquele ano, a indústria catarinense havia recusado uma proposta para se juntar à Arezzo.

Segundo os comunicados divulgados na quarta-feira passada, mesmo ressaltando que nada estava fechado, as empresas informaram que, caso o negócio fosse confirmado, Alexandre Birman, hoje no comando da Arezzo&Co, seria apontado o CEO da futura companhia enquanto Roberto Jatahy, hoje CEO do Soma, ficaria à frente das marcas femininas.

A fusão tem sido bem avaliada no mercado por causa dos ganhos típicos de operações do tipo, como reduções de custos associadas ao compartilhamento de áreas administrativas e aumento do poder de fogo nas negociações com fornecedores e clientes.

— Se compararmos com a última grande fusão desse tipo no varejo, entre (as redes de farmácias) Raia e Drogasil, existe uma vantagem de dividir o bolo, somar e reduzir os custos de uma operação que é muito similar. Entre pontos fortes, têm maiores garantias, taxas menores (para crédito), redução de custos, maior liquidez de mercado e mais visibilidade internacional — disse Enrico Cozzolino, chefe de análise da Levante Investimentos.

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Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, diz que fusão pode ajudar marcas das duas com ambições internacionais, como Schutz e Farm. Ulysses Reis, coordenador de varejo da Strong Business School, lembra que a formação de grandes conglomerados de marcas de moda avançou pouco no Brasil, mas é uma tendência já antiga em países desenvolvidos.

Concorrência da China

Só que, agora, vem num momento de acirrada concorrência com empresas asiáticas e após uma década de consumo fraco no Brasil.

—Todos estão muito assustados com a presença dos chineses — diz Reis, lembrando que o avanço do comércio eletrônico, no qual a Shein e outras asiáticas são fortes, é outro motivo para buscar escala.

Por outro lado, as principais ressalvas vêm das dificuldades de combinar tantas marcas sob a mesma direção.

— Quanto maior e mais complexa a fusão, mais isso se torna crítico. Estamos falando da unificação de culturas, da distribuição de responsabilidades e da harmonização entre os líderes dos negócios. E isso é difícil de saber a priori, porque depende de como será conduzido o processo — disse Serrentino, da Varese Retail.
 
 
 
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