Terça-feira, 27 de fevereiro de 2024
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OPERAÇÃO METÁSTASE

Advogado de acusado de fraude na AL tenta 'enrolar' juiz e leva 'puxão de orelha'

Após prazo para apresentação de memoriais finais ter se findado, jurista pediu prorrogação

Foto: Reprodução

Advogado de acusado de fraude na AL tenta 'enrolar' juiz e leva 'puxão de orelha'
O juiz Jean Bezerra, da 7ª Vara Criminal, negou aumentar o prazo para manifestação da defesa de Geraldo Lauro no processo que investiga o desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa (AL) apurado pela Operação Metástase, deflagrada em setembro de 2015. Os advogados pediram novo prazo, mas não apresentaram nova documentação no período estabelecido. Por entender que Geraldo tentava "enrolar" o andamento do processo, o magistrado deu um "puxão de orelha".

Geraldo Lauro era defendido por Ardonil Manoel Gonzales Júnior, que pediu mais 15 dias analisar as documentações nos autos, tendo em vista que havia sido nomeado recentemente para o caso e não tinha tido tempo suficiente para ler todo o processo.

Cinco dias antes desse prazo se encerrar, foi apresentado um novo advogado para substituir Ardonil, Alexandre de Sandro Nery Ferreira. Com essa mudança, a defesa só foi apresentada mais de uma semana após o fim do prazo processual.


"Salta aos olhos que, entre o lapso temporal dos dias 23/01/2024 e 07/02/2024, mais de 15 dias, a defesa não apresentou a referida peça processual. Além disso, o pleito de dilação de prazo somente foi colacionado aos autos no dia 06/02/2023, mais de uma semana depois de decorrido período. Portanto, considero que o procurador obteve tempo suficiente para a realização da juntada das alegações finais, pelo que, intime-se o referido causídico para que em cinco dias apresente a peça faltante", argumentou o juiz em sua decisão.

Operação Metástase

Deflagrada em setembro de 2015, a Operação Metástase investigou um esquema de desvio de recurso público por meio da verba de suprimento entre 2011 e 2014 na Assembleia Legislativa. Foram realizadas compras de produtos que iam de marmitas até materiais gráficos que nunca foram entregues, mas tiveram os pagamentos feitos em dia e na íntegra.

Nesse esquema, Geraldo Lauro trabalhava no gabinete do ex-deputado Geral Fabris e auxiliava no processo para atestar o recebimento dos materiais comprados com as empresas de "fachada". 

A quadrilha, que tinha como líder o ex-deputado estadual José Riva, responde pelos crimes de constituição de organização criminosa, peculato, falsidade ideológica e, em alguns casos, a coação no curso do processo. Ao todo 23 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado (MPE).
 
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