Quatro empresas acusadas de fraudar empréstimos consignados de servidores públicos de Mato Grosso receberam repasse de mais de R$ 228 milhões do Governo do Estado em 2024 e 2025. Elas são investigadas por ilegalidades em operações financeiras de, pelo menos, 12 mil funcionários públicos.
A principal denúncia é sobre a Capital Consig, que também opera através das empresas Cartos Sociedade de Crédito, BemCartões e ClickBank. Um levantamento realizado pelo jornal A Gazeta mostrou que, apenas em 2024, a Capital Consig recebeu R$ 137,2 milhões do Estado dos empréstimos consignados.
Mesmo depois das primeiras denúncias das entidades sindicais sobre as ilegalidades, de janeiro a maio a Capital Consig teve o repasse de mais de R$ 61 milhões, o que representa uma média de R$ 12 milhões por mês.
A ClickBank por sua vez recebeu R$ 18,5 milhões em 2024 e mais R$ 9,3 milhões em 2025. Já a Cartos teve direito a R$ 1,4 milhão em 2025 e a Bem Cartões R$ 157 mil.
Segundo denúncia de sete entidades sindicais, os servidores eram enganados pelas empresas, que vendiam um empréstimo consignado, mas faziam um cartão consignado, o que permitia juros de até 1.000% e pagamentos durante cinco anos. Além disso, quando os clientes pediam cópia dos contratos, não recebiam resposta da empresa.
Em resposta ao jornal A Gazeta, a Capital Consig afirmou que sofre uma campanha de difamação e que irão demonstrar a legalidade das operações de crédito por ela realizadas. E ainda que os contratos são auditáveis e contam com a anuência dos contratantes.