Sábado, 9 de maio de 2026
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FALSO ADVOGADO

Criminosos se passam por advogados e aplicam centenas de golpes em Mato Grosso

O golpe segue um roteiro padrão: os golpistas se apresentam como advogados responsáveis por ações judiciais para ludibriar as vítimas

Foto: Reprodução

Criminosos se passam por advogados e aplicam centenas de golpes em Mato Grosso
Advogados de Mato Grosso vêm enfrentando um novo tipo de fraude que já fez diversas vítimas no estado. Criminosos utilizam informações públicas de processos judiciais para se passar por profissionais do Direito e aplicar golpes em clientes.

De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), há relatos crescentes de advogados que tiveram seus nomes, fotos e registros profissionais usados de forma indevida em esquemas fraudulentos. Os criminosos acessam bancos de dados públicos, copiam documentos reais e, por meio de aplicativos de mensagens, entram em contato com clientes de escritórios de advocacia. Nessas abordagens, usam documentos falsificados, timbres e linguagem jurídica para dar legitimidade ao golpe.

O golpe segue um roteiro padrão: os golpistas se apresentam como advogados responsáveis por ações judiciais e afirmam que o cliente tem valores a receber — como indenizações ou precatórios. Em seguida, solicitam pagamentos imediatos via PIX ou transferência bancária, alegando despesas para liberação do suposto crédito. Após o depósito, os criminosos encerram o contato e desaparecem.

Um novo alerta das autoridades aponta que os criminosos estão sofisticando ainda mais suas abordagens. Além das mensagens e documentos falsificados, eles também pedem para realizar chamadas de vídeo com as vítimas. O objetivo é capturar imagens do rosto da pessoa, que posteriormente são utilizadas em tentativas de autenticação em aplicativos de bancos digitais ou para abertura de contas fraudulentas. Essa prática expõe as vítimas a riscos ainda maiores, podendo resultar em prejuízos financeiros e uso indevido de identidade.

A OAB-MT e o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) confirmam que esse tipo de golpe tem se tornado cada vez mais sofisticado. Relatórios internos mostram aumento nas denúncias desde 2023, e investigações da Polícia Civil apontam para a atuação de quadrilhas especializadas. Operações recentes resultaram em prisões e bloqueio de contas bancárias utilizadas pelos golpistas.

Um advogado que preferiu não se identificar relatou à reportagem que já teve sua imagem usada em diversos golpes, causando prejuízo a sua reputação e transtornos junto aos clientes. “É revoltante ver nosso nome envolvido em crimes que não cometemos. Os prejuízos para as vítimas são altos, e nossa imagem profissional também é afetada”, afirmou.


Uma cliente, que também pediu anonimato, contou que perdeu R$ 8 mil após ser abordada por um falso advogado. O golpista entrou em contato, se apresentou como responsável pelo processo dela e pediu que acessasse o aplicativo do banco. Durante a ligação, o criminoso enviou um código e orientou que ela o inserisse no app, alegando que seria necessário para receber valores referentes a um acordo judicial. Após seguir as instruções, a vítima teve R$ 8 mil furtados diretamente da conta bancária. Somente depois, ao conversar com seu verdadeiro advogado, percebeu que havia sido vítima de um golpe. “Os documentos eram muito convincentes, com detalhes verdadeiros do meu processo”, relatou a vítima.

Para tentar conter a ação dos criminosos, OAB-MT, TJMT e Polícia Civil realizaram reuniões recentes para discutir ajustes no sistema PJe, com o objetivo de restringir o acesso a dados sensíveis e proteger advogados e partes envolvidas. Além disso, a OAB-MT orienta que clientes jamais realizem pagamentos sem confirmação direta com o escritório, desconfiem de contatos urgentes por WhatsApp e busquem sempre os canais oficiais para checar a identidade do advogado.

A orientação para vítimas de golpe é registrar imediatamente um boletim de ocorrência e encaminhar a denúncia para o e-mail denunciagolpes@oabmt.org.br e para a Polícia Civil. As entidades reforçam que nenhuma autoridade ou advogado legítimo solicita transferências via PIX ou depósitos sem contato prévio formal, nem solicita a realização de chamadas de vídeo para fins de validação bancária.

O golpe do falso advogado demonstra como a combinação de acesso a informações públicas e uso de falsificações sofisticadas pode causar prejuízos financeiros e abalar a confiança na advocacia. A recomendação das autoridades é redobrar a atenção, evitar realizar chamadas de vídeo com desconhecidos e sempre buscar confirmação por canais oficiais.
 
 
 
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