O dólar à vista disparou nesta sexta-feira (21/11), registrando elevação de 1,18% em relação ao real, cotado a R$ 5,40. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em baixa de 0,39%, aos 154.770,10 pontos.
A alta da moeda americana e o recuo do Ibovespa ocorreram apesar da decisão da Casa Branca de zerar as tarifas de 40% sobre alguns produtos agrícolas brasileiros. Com isso, foram zeradas as sobretaxas aplicadas a itens como a carne bovina fresca, resfriada ou congelada, produtos de cacau e café, algumas frutas, vegetais, nozes e fertilizantes.
Na avaliação de analistas, os resultados dos mercados de câmbio e capitais refletiram, contudo, a cautela e o apetite limitado dos investidores por aplicações de risco. Com isso, eles deixaram, ainda que momentaneamente, as ações de lado para se refugiar na moeda americana.
Na contramão
Os dois movimentos no Brasil (alta do dólar e queda no Ibovespa), no entanto, ocorreram na contramão do mercado mundial. O índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,03%, aos 100,20 pontos às 17h15, mostrando perda de força do dólar.
Além disso, no mesmo horário, os principais índices das Bolsas americanas operavam em forte alta. Todos subiam: o S&P 500, 1,40%; o Dow Jones, 1,39%; e o Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, 1,54%.
Juros nos EUA
No mundo, os mercados animaram-se com declarações de integrantes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Elas reacenderam a esperança de uma nova redução nas taxas de juros dos Estados Unidos em dezembro. Tal perspectiva era considerada certa entre investidores no mês passado, mas, na última semana, sofreu forte revés.
Ainda assim, John Williams, um dos diretores do Fed, disse nesta sexta-feira que há espaço para ajustes na taxa no curto prazo. Outro integrante do órgão, Stephen Miran, afirmou que, se fosse para desempatar uma votação, defenderia um corte de 0,25 ponto percentual da taxa, hoje fixada no intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano.
Ajuste pós-feriado
Outro fator que explica o comportamento dos investidores no Brasil foram ajustes pós-feriado do Dia da Consciência Negra. Na quinta-feira, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que a economia americana criou 119 mil vagas em setembro, ante projeção de 50 mil postos de economistas ouvidos pela Reuters. A taxa de desemprego subiu para 4,4%, ante projeção de 4,3%. Tais números justificaram a alta do dólar ante a maior parte das divisas na quinta-feira, o que também fez com que a moeda americana se ajustasse frente ao real nesta sexta-feira.
Commodities
O real também perdeu força frente ao dólar com o enfraquecimento das commodities no mercado global. Na China, o contrato futuro do minério de ferro, com vencimento em janeiro, caiu 0,32% na Bolsa de Dalian. O contrato do petróleo do tipo Brent, que é a referência internacional, fechou em queda de 1,29%, a US$ 62,56.