Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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NEGÓCIOS

Estável, dólar vai a R$ 5,38 com indústria no Brasil e emprego nos EUA

À espera do “payroll” e do IPCA, investidores estiveram atentos aos dados da indústria no Brasil, petróleo e mercado de trabalho nos EUA

Foto: Getty Images

Estável, dólar vai a R$ 5,38 com indústria no Brasil e emprego nos EUA
O dólar terminou a penúltima sessão da semana praticamente estável, nesta quinta-feira (8/1), em mais um dia no qual os investidores se voltaram mais ao cenário internacional do que ao âmbito doméstico.

No front externo, o mercado repercutiu os novos dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, além da divulgação do resultado da balança comercial norte-americana no mês de outubro de 2025.

No Brasil, o principal destaque do dia na agenda econômica foram os números da produção industrial do Brasil em novembro do ano passado, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – que voltaram a decepcionar.

Por fim, os investidores continuam monitorando a situação na Venezuela após a deposição do ditador Nicolás Maduro pelos EUA. No início da semana, o mercado parecia ter diminuído sua preocupação com a instabilidade no país sul-americano e vinha adotando uma postura mais otimista em relação ao possível crescimento do mercado de petróleo.


Mas o clima havia mudado na última quarta-feira (7/1), diante de nova escalada nas tensões geopolíticas envolvendo EUA, Venezuela e Rússia – o que levou a uma forte queda nos preços do barril de petróleo. Nesta quinta, porém, as cotações internacionais do petróleo voltaram a subir.

No mercado de ações, o destaque negativo do dia ficou novamente com a Azul, cujas ações continuaram derretendo em meio à incerteza dos investidores após a homologação de uma oferta de ações no valor de R$ 7,4 bilhões.

Dólar
  • O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira em leve alta de 0,06%, negociado a R$ 5,389, próximo da estabilidade.
  • Na cotação máxima do dia, a moeda norte-americana bateu R$ 5,397. A mínima foi de R$ 5,375.
  • Na véspera, o dólar fechou em leve alta de 0,12%, cotado a R$ 5,386, perto da estabilidade.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,81% frente ao real em 2026.

Ibovespa
  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em alta na reta final do pregão.
  • Por volta das 17 horas, nos instantes finais da sessão, o indicador avançava 0,36%, aos 162,5 mil pontos.
  • No dia anterior, o Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 1,03%, aos 161,9 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 0,55% no ano.

Produção industrial patina no Brasil

No cenário nacional, os investidores repercutiram os novos dados do IBGE sobre o desempenho do setor industrial brasileiro em novembro do ano passado.

De acordo com o levantamento divulgado nesta quinta-feira, a produção industrial do país mostrou variação nula (0%) frente a outubro, na série livre de influências sazonais. Em relação a novembro de 2024, houve recuo de 1,2%. O acumulado no ano foi de 0,6% e o dos últimos 12 meses até novembro chegou a 0,7%.

O IBGE destacou que a produção industrial está 2,4% acima do patamar pré-pandemia (em fevereiro de 2020). No entanto, encontra-se 14,8% abaixo do nível recorde de maio de 2011.

Segundo economistas e analistas do mercado consultados pela reportagem do Metrópoles, o desempenho tímido da indústria nacional em novembro do ano passado confirma a desaceleração da economia do país e as dificuldades impostas por uma taxa básica de juros ainda elevada, em 15% ao ano.

De acordo com Claudia Moreno, economista do C6 Bank, “a categoria de bens de capital, ligada a investimentos em máquinas e equipamentos, chegou em novembro ao terceiro mês seguido de alta”. “Mas, quando olhamos para os dados acumulados em 2025, vemos que o segmento perdeu força, possivelmente impactado pelos juros altos. Com a Selic elevada, o crédito fica mais caro, o que acaba desestimulando a compra desses produtos e, consequentemente, os investimentos em modernização e ampliação das fábricas”, avalia.

Para a economista, os dados de novembro confirmam a leitura de que a indústria brasileira desacelerou ao longo de 2025. “O setor deve terminar o ano com crescimento próximo a 1%, abaixo da expansão de 3,1% registrada em 2024”, projeta Moreno.

“A perda de fôlego da indústria é mais um indicativo de que a economia brasileira desacelerou, devendo fechar 2025 com crescimento de 2,2%. Já para 2026 e 2027, nossa expectativa é de que o PIB avance 1,7% e 1,5%, respectivamente, uma vez que as medidas de estímulo adotadas pelo governo (como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda) devem evitar um esfriamento mais intenso da atividade”, completa.

André Valério, economista sênior do Banco Inter, aponta que houve um “recuo generalizado” na produção industrial, com 15 dos 25 ramos investigados apresentando variação negativa em novembro. “O resultado de novembro reafirma a tendência de desaceleração do setor industrial, que sofre de um problema duplo, a elevada taxa de juros e o tarifaço norte-americano, que, mesmo com diversos recuos, ainda mantém a sobretaxa de 50% em boa parte da produção industrial exportada aos EUA”, afirma Valério.

“Com isso, vemos a confiança do setor em baixa, com expectativas pessimistas para 2026. Esperamos que o setor apresente leve recuperação em dezembro e termine 2025 com alta acumulada de 0,7%.”

Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, “a expectativa é que o resultado de dezembro não apresente variações muito expressivas, com a indústria extrativa demonstrando maior potencial de recuperação conforme sinalizaram os dados da balança comercial, com as exportações do setor crescendo 53%”, aponta.

“A contribuição do setor seja para o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) de novembro ou mesmo para o PIB do quarto trimestre, no entanto, deve ser reduzida, com o nível de atividade ainda fortemente dependente do setor de serviços para garantir um bom desempenho no ano”, completa.

Pedidos de seguro-desemprego nos EUA

Assim como já havia ocorrido ontem, o mercado financeiro acompanhou com atenção mais dados relativos ao emprego nos EUA. Os principais destaques desta quinta foram os números sobre os pedidos semanais por seguro-desemprego no país.

Na semana encerrada em 27 de dezembro, as solicitações aumentaram em 8 mil, para 208 mil pedidos, segundo o Departamento do Trabalho. A estimativa média dos analistas era a de que tivessem sido registrados 213 mil solicitações de auxílio, ante 199 mil do levantamento anterior.

Na véspera, os mais relevantes observados pelo mercado foram os números das folhas de pagamento do setor privado de dezembro, revelados pelo ADP Research Institute, em parceria com o Stanford Digital Economy Lab.

O país registrou a abertura de 41 mil vagas de emprego no setor privado em dezembro do ano passado, de acordo com o relatório do ADP. O resultado do mês passado veio abaixo das estimativas do mercado. O consenso Refinitiv projetava a criação de 49 mil vagas.

Também eram esperados com grande expectativa os números do relatório “Job Openings and Labor Turnover Survey” (Jolts). Em novembro de 2025, houve um recuo de cerca de 300 mil vagas de trabalho em aberto em relação a outubro, para 7,146 milhões. Foi a maior queda desde junho do ano passado.

O resultado ficou abaixo das estimativas do mercado, que eram de cerca de 7,61 milhões de vagas em aberto.

As vagas em aberto são as posições disponíveis dentro das empresas que os empregadores buscam preencher por meio de contratações. Para participar do relatório Jolts, os empregadores recebem um formulário no qual informam o número de vagas em aberto na empresa no último dia útil do mês, além do número de contratações e demissões no período.

Em tese, portanto, o aumento na quantidade de vagas em aberto indica que as empresas pretendem acelerar suas contratações. A redução, por sua vez, indica que as companhias querem apertar o cinto e pisar no freio.

Nos EUA, o menor déficit comercial desde 2009

Ainda nesta quinta-feira, outro dado esperado pelos investidores era o resultado da balança comercial dos EUA referente a outubro no passado.

Segundo o Departamento do Comércio, o déficit comercial norte-americano encolheu 39%, para US$ 29,4 bilhões, o nível mais baixo desde julho de 2009. As projeções indicavam um déficit bem maior dos EUA, de US$ 58,9 bilhões.

O déficit comercial é registrado quando as importações superam as exportações. Quando acontece o contrário, há superávit.

Petróleo em alta após fala de Trump

Em meio à preocupação global sobre os desdobramentos dos ataques militares dos EUA contra a Venezuela, os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira.

Por volta das 16h30 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para fevereiro do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 3,13% e era negociado a US$ 57,74. No mesmo horário, o contrato futuro para março do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) subia 3,4%, cotado a US$ 62.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que espera que o país siga supervisionando a Venezuela e administrando suas reservas de petróleo por um longo período.

Em entrevista publicada pelo jornal norte-americano The New York Times, nesta quinta-feira, Trump disse que “só o tempo dirá” até quando os EUA ocuparão o território venezuelano. Questionado se isso significava três meses, seis meses ou um ano, Trump respondeu: “Eu diria muito mais tempo”.

Na quarta-feira, o governo Trump deixou claro que ditaria as decisões tomadas pelos líderes da Venezuela e controlaria as vendas de petróleo do país “indefinidamente”.


O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os EUA têm um plano de três etapas para o país sul-americano, envolvendo estabilização, recuperação e transição. A proposta estaria atrelada à abertura do petróleo venezuelano a empresas petrolíferas dos EUA.

A Venezuela detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo dados da Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA. A produção, no entanto, despencou nas últimas décadas.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar teve “um dia de baixa amplitude e liquidez reduzida, operando em um cenário de consolidação e menos direcional”.

“O ambiente ainda é de cautela, visto que o mercado aguarda a divulgação de dados cruciais amanhã: o relatório de emprego norte-americano (‘payroll’) e o IPCA (índice oficial de inflação) no Brasil. Sem a presença de catalisadores relevantes no curto prazo, a moeda se manteve em relativa estabilidade e sem uma tendência definida. O mercado vem evitando grandes exposições antes de obter sinais mais claros sobre os próximos passos do Federal Reserve e a trajetória inflacionária doméstica”, explicou Shahini.
 
 
 
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