Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
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NEGÓCIOS

Dólar cai a R$ 5,19, menor nível em 20 meses. Bolsa recua após recorde

Moeda americana baixou 0,22% frente ao real, depois de ter atingido R$ 5,24. Ibovespa cedeu em pregão com menor apetite por risco

Foto: Witthaya Prasongsin/Getty Images

Dólar cai a R$ 5,19, menor nível em 20 meses. Bolsa recua após recorde
O dólar registrou queda de 0,22% frente ao real, cotado a R$ 5,19, nesta quinta-feira (29/1), depois de ter batido em R$ 5,24 no maior momento de alta do dia, às 12h30. Ainda assim, a moeda americana voltou a atingir o menor patamar em 20 meses.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fez o caminho contrário. Iniciou a sessão atingindo um novo recorde ao alcançar 186 mil pontos, às 10h30. À tarde, porém, inverteu o sinal. Às 16h40, operava em queda de 0,75%, aos 183.298,05 pontos.

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar apresentou elevada volatilidade ao longo do pregão, chegando a avançar mais de 1% nos momentos de maior estresse. “O movimento foi impulsionado pelo aumento da aversão ao risco no exterior, em meio à escalada das tensões geopolíticas entre o Irã e os Estados Unidos e à queda das bolsas americanas.”


Em Nova York, note-se, as bolsas caíram, puxadas pelo setor de tecnologia, com baixa de 12% nas ações da Microsoft. A queda ocorreu depois que a empresa divulgou uma desaceleração do desempenho da área de computação em nuvem no segundo trimestre fiscal. Às 16h30, a baixa dos principais índices era generalizada: -0,58% do S&P 500, -0,08% do Dom Jones e -1,33 do Nasdaq, que concentra papéis das companhias ligadas ao setor tecnológico.

“Esse ambiente mais defensivo levou o ouro a subir cerca de 3% no ‘intraday’ (durante o pregão), movimento que perdeu força ao longo da tarde, com o metal encerrando o dia próximo da estabilidade”, diz. “No mercado doméstico, a valorização de aproximadamente 3% do petróleo e também do minério de ferro deu suporte adicional ao movimento de recuperação do real.”

Diferença de juros

Shahini observa que, depois das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, adotadas na quarta-feira, o mercado passou a precificar um corte de 50 pontos-base dos juros básicos brasileiros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), em março.

“Ainda assim, o diferencial de juros do Brasil permanece elevado, sustentando a atratividade do ‘carry trade’ e contribuindo para o desempenho do real”, afirma. Carry trade é a estratégia na qual os investidores tomam empréstimos em uma moeda com juros baixos (em países desenvolvidos, por exemplo) e investem esses recursos em uma economia com juros altos (no caso, o Brasil).

“Pós-superquarta”

Na avaliação de José Áureo Viana, sócio da Blue3 Investimentos, a sessão desta quinta-feira foi um bom retrato da “digestão pós-superquarta”. “Pela manhã, o Ibovespa renovou máxima histórica e chegou a 186.449,75 pontos, impulsionado pela leitura de que o Copom abriu, ainda que de forma condicional, o caminho para iniciar a flexibilização na próxima reunião, o que o mercado viu de forma muito positiva”, diz.

“Conforme o pregão avançou, porém, o mercado doméstico passou a acompanhar o exterior mais negativo, principalmente com a mudança de humor em Nova York após balanços de ‘big techs’ e discussões sobre investimentos elevados em IA, o que pressionou, sem dúvidas, o apetite por risco e tirou fôlego da alta doméstica”, afirma

Câmbio parecido

No câmbio, ele observa, a dinâmica foi parecida. “O dólar comercial começou cedendo e chegou à mínima perto de R$ 5,166, mas depois esticou com a piora do exterior e a busca por proteção, tocando níveis acima de R$ 5,24 antes de voltar a oscilar. Já os juros futuros caíram ao longo da curva reagindo ao comunicado do Copom e ajudou a reduzir prêmios ao reforçar a perspectiva de início de cortes”, diz.

Viana acrescenta que, nas maiores altas do Ibovespa, o componente de commodities foi decisivo. “A Petrobras subiu acompanhando a disparada do petróleo no exterior e ainda teve suporte de notícia corporativa sobre reservas provadas”, afirma. “A Vale avançou na esteira do preço do minério de ferro mais firme. Também apareceram entre os destaques positivos nomes do setor de óleo, como Prio e Brava, pela mesma lógica de preço da commodity.”

O especialista nota que, nas maiores quedas, o destaque ficou para a CVC e a Méliuz, setores que costumam reagir com mais intensidade quando o mercado sai do “modo entusiasmo” e entra em um pregão mais seletivo.


Mercado de trabalho

Nesta quinta-feira, parte do mercado ainda mostrava surpresa com a assertividade do comunicado do Copom, divulgado na quarta-feira (27/1), quando decidiu manter os juros básicos do país, a Selic, em 15%. O documento indicou que o início do corte da taxa deve começar na próxima reunião do Copom, em março.

Mas dados sobre o mercado de trabalho indicaram, nesta quinta-feira, um arrefecimento da atividade econômica no Brasil, o que favorece o início do processo de flexibilização da política monetária. O país criou 1,28 milhão de postos formais de trabalho, ou seja, com carteira assinada, em 2025, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O número é fruto da diferença entre 26,6 milhões admissões e 25,3 demissões. Esse, contudo, foi o pior resultado apurado desde 2020, o ano da pandemia, quando foi registrado um saldo negativo de 189 mil empregos. O total de 1,28 milhão de vagas veio abaixo da expectativa do mercado, que apontava para 1,4 milhão.
 
 
 
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